1. Resumo Histórico 

    Foi criada por alvará régio concedido pelo rei D. Carlos e emitido em 31 de Julho de 1906 ao abrigo do decreto de 9 de Maio de 1891, com a denominação de Associação Comercial de Vila do Conde.

    Aquando a sua fundação, vivia-se em Vila do Conde tempos de sobrevivência do comércio lojista. “Á medida que o número de lojas mercantis aumentava, diminuía o de lojas de artificies porque estas só dificilmente resistiram á concorrência dos produtos fabris” (Amorim & Couto, 2006). Dadas as condições políticas que impediam Vila do Conde de acompanhar o desenvolvimento que se verificava noutras terras, a criação da Associação Comercial e Industrial de Vila do Conde surgiu assim, como uma esperança de progresso e de agente de desenvolvimento, representando um órgão de pressão junto do poder político. O contexto socioeconómico de Vila do Conde aquando a fundação da ACIVC inspirou inúmeras reflexões acerca do impacto de iniciativas de promoção do comércio local, no desenvolvimento local e comunitário. A luta pela sobrevivência do mercado lojista e a defesa pelos seus direitos junto do poder autárquico foram âncoras da estruturação de uma associação, que haveria de se tornar, como pudemos constatar, num motor de progresso, estando associado a todas as iniciativas de desenvolvimento local em Vila do Conde. Segundo Amorim & Couto (2006), a promoção do comércio depende muito do vigor revelado pelas populações em que está inserido para potenciarem os recursos económicos que estão ao seu alcance. “Os Vila-condenses consideravam que os factores capazes de impulsionar a economia da terra eram: a melhoria de condições de navegabilidade do seu porto, a atracção de turistas à sua praia, a criação de feiras francas e a modernização do sector de comunicações” (Amorim & Couto, 2006). Todas estas iniciativas tinham um mesmo objectivo, desenvolver a economia da terra. A Associação torna-se assim numa instituição “aglutinadora de vontades e esforços, procurando o progresso da terra porque dela resultava a satisfação dos seus interesses” (Amorim & Couto, 2006).

    Os seus primeiros estatutos, assinados por 48 indivíduos, constam de 7 capítulos e 52 artigos e definem os objectivos que se pretendiam alcançar:

    «a defesa dos interesses e direitos do comércio e indústria em geral, por todos os meios de estudo, propaganda, representação e protesto, e em especial a defesa dos interesses e prosperidades do comércio local e a difusão do ensino de conhecimentos úteis.»

    1 - Os seus primeiros estatutos, assinados por 48 indivíduos, constam de 7 capítulos e 52 artigos e definem os objectivos que se pretendiam alcançar: «a defesa dos interesses e direitos do comércio e indústria em geral, por todos os meios de estudo, propaganda, representação e protesto, e em especial a defesa dos interesses e prosperidades do comércio local e a difusão do ensino de conhecimentos úteis.»
     
    2 - Em 1929, procedeu-se à revisão dos seus Estatutos, tendo sido encarregados dessa missão os seguintes sócios:
    Acácio Assis de Carvalho
    Dr. António Maria Pereira Júnior
    Dr. João Canavarro
    Carlos Luís de Sousa
    Firmino Gomes da Silva
    Tadeu Pereira Neves
    João Gomes de Lima
      
    3 - Dessa revisão resultaram as seguintes alterações:
      a) A Instituição passou a designar-se Associação Comercial e Industrial de Vila do Conde.
      b) Os órgãos sociais passaram a ser eleitos de forma diferente e o seu mandato passou de anual para bianual.
      c) Foi criado também um novo tipo de sócio – o sócio auxiliar.
     
    4 - Em 1938, foi publicado no Diário do Governo de 8 de Dezembro o Decreto-Lei n.o 29232 que transformava todas as associações comerciais em grémios do comércio, se os sócios assim o desejassem ou, caso contrário, seriam dissolvidas.
     
    5 - Em consequência desse Decreto- Lei, a Assembleia Geral da Associação Comercial e Industrial de Vila do Conde reuniu pela última vez em 30 de Junho de 1940, deliberando transformar-se em Grémio do Comércio de Vila do Conde, a partir do dia seguinte 1 de Julho – com novos estatutos.
    Nessa reunião, o Presidente, João da Costa Torres, manifestou o seu pesar pela extinção de uma associação de tanto prestígio e evocou a memória de dois ex-directores, Francisco Baltazar do Couto e Acácio Assis de Carvalho, e do Coronel Alberto Graça.
     
    6 - Em 1976, foi extinto o Grémio do Comércio e transformado novamente em Associação Comercial e Industrial de Vila do Conde.
    Ao longo destes cem anos de exis tência, a Associação representante dos comerciantes e dos industriais de Vila do Conde teve uma acção relevante e transversal a toda a vida do concelho como se poderá verificar no livro que foi publicado e que tem por objecto a sua história.
     
    Para além dos interesses específicos dos associados, interveio a Instituição em muitos outros assuntos que diziam respeito ao interesse geral da comunidade:
    • Em cooperação com a Câmara Municipal procurou o desenvolvimento de Vila do Conde, participando em todas as iniciativas com esse fim. Entre essas iniciativas podem destacar-se as seguintes: a melhoria do porto e barra do rio Ave, a propaganda da praia, as feiras francas, o desenvolvimento das comunicações e a instalação da luz eléctrica.
    • Contribuiu para a coesão do concelho e para a sua integridade territorial, criando, em 1929, as delegações da Associação Comercial nas freguesias e opondo-se às pretensões da Póvoa de Varzim que ambicionava anexar Caxinas e Poça da Barca.
    • Procurou desenvolver a indústria das rendas, promovendo exposições em Vila do Conde e incentivando as manufacturas respectivas a participarem em outras exposições nacionais e internacionais.
    • Participou, durante muitos anos, na organização das Festas do Carmo que eram, em outros tempos, as festas do concelho.
    • Importante foi também a sua acção cultural, criando uma pequena biblioteca e abrindo ao público um gabinete de leitura.

     

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